Novos poemas

Galateo

Se distante o amor tem estranhezas,
de perto o amor brinca com o instante,
cria a ilusão de que a vida tem certezas
de que o que passa se reencontra no horizonte.

Do que alcançam as dúvidas acesas,
a água não impede o ímpeto da ponte
que liga a imagem de antigas belezas
à erosão da margem de um rio vascilante.

Por desejar o amor ser mais que afeto,
rompe ruidoso a resposta do silêncio
com a eloquência de um olhar maroto,
a elegância de um furtivo gesto
de cortesia, como quem dispara
balas de festim para assustar o incerto.

Desejoso o amor de ser constante,
esconde a intermitência de seus erros,
jogando com um, contra outro amante,
como se o acaso necessitasse os zelos
do amador profissional já desarmado
pela surpresa de que o mal destila o fel do bem da vida,
separa da realidade a pessoa imaginada,
e nela, o lance dos contrários que, juntos, lado a lado,
confundem, em ledo engano, o amor, quem ama e a coisa amada.