Cantografia
O itinerário do carteiro cartógrafo

Soneto da correspondência

Escrevo a carta que não recebi
enquanto enquadro qualquer cor marinha
esquadra sombras minha mão caminha
tropeça e gira numa cicatriz

a escarpa é árdua se das uvas vinha
sabor antigo de sorriso e fria
a tarde roda pelo rastro ia
curvando o corpo do horizonte em linha

posso sensato no cabelo usar
arestas novas prepotente esquina
e as mãos caladas de aspereza amar

amarga água aguardando em cima
se aquém a casa a solidão a par
a quem a carta se a memória opina?